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Personalidades do samba são vacinadas contra a covid-19 no Sambódromo

Portelense Monarco foi vacinado no Sambódromo (Foto: Beth Santos/Prefeitura do Rio)

O Sambódromo do Rio de Janeiro, na Cidade Nova, que esse ano não tem os desfiles das escolas de samba por causa da pandemia, foi transformado em palco para vacinação da COVID-19. A imunização no local começou, no sábado (13), simbolicamente por personalidades do samba.

Veja também: Marquês de Sapucaí ganha iluminação em homenagem a vítimas da covid-19

A Prefeitura do Rio realizou no local a repescagem da vacinação de idosos a partir de 85 anos. O compositor Monarco, de 87 anos, baluarte da Velha Guarda da Portela, foi uma das pessoas imunizadas na Marquês de Sapucaí, junto com outros sambistas. Ele ficou emocionado e fez um apelo.

“Que todos os idosos venham se vacinar. Eu quero cantar para o meu povo, quero subir no palco. Estou com saudade dos meus amigos, da Velha Guarda da minha Portela querida”, disse, ao lado da esposa, Olinda Diniz.

Ele também lembrou de companheiros que morreram vítimas da Covid-19, como o compositor Aldir Blanc e o sambista Ubirany, do Cacique de Ramos.

Lizette Prazeres, 85 anos, da velha guarda do Império Serrano também tomou vacina (Foto: Beth Santos/Prefeitura do Rio)

Outros três sambistas se vacinaram na Marquês de Sapucaí: Nedyr Torquato, de 85 anos, um dos fundadores da escola de samba Ilha do Governador; Lizette José dos Prazeres, 85 anos, da Velha Guarda do Império Serrano; e Marsilia Lopes, 85 anos, considerada a Mãe dos Destaques da Portela.

Marsília Lopes Santos Albuquerque, 85, da Portela foi imunizada (Foto: Beth Santos/Prefeitura do Rio)

240 mil vacinados

A prefeitura do Rio informou que, até o sábado (12), já tinham sido aplicadas na cidade 240.577 doses da vacina, em  3,3% da população.

Na segunda (15) e na terça-feira (16), está mantida a imunização de idosos de 84 e 83 anos, respectivamente. Pelo cronograma informado pelo Ministério da Saúde, há previsão de o município receber novas remessas de doses nas duas próximas semanas, com as quais espera manter a programação da vacinação para os próximos grupos prioritários.

A prefeitura informou que as vacinas para a segunda dose de quem tomou a primeira no início da campanha estão garantidas e começarão a ser aplicadas na semana que vem.

As equipes de saúde aproveitarão a terça-feira de Carnaval para retornar às instituições de longa permanência, onde aplicarão a segunda dose em idosos que vivem em asilos e pessoas com deficiência institucionalizadas. População indígena e quilombola, além dos profissionais das unidades de Atenção Primária (clínicas da família e centros municipais de saúde) envolvidos na campanha de vacinação também receberão a segunda dose neste dia.

Ainda no dia 16, unidades hospitalares e de pronto atendimento deverão aplicar a segunda dose da vacina nos próprios profissionais que tomaram a primeira dose no local de trabalho em janeiro.

 

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Sambódromo recebe moradores de rua a partir desta segunda-feira

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, informou que o Sambódromo vai começar, a partir desta segunda-feira (30/03), a abrigar a população em situação de rua, uma das medidas tomadas pela Prefeitura para evitar a disseminação do novo coronavírus. A prioridade será levar para o espaço idosos, grávidas e mulheres acompanhadas de crianças.

A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH) já transformou em quartos, oito salas de aula das três escolas municipais que funcionam sob as arquibancadas do Sambódromo. O espaço, com capacidade para 400 pessoas, foi dividido em três áreas: uma para receber 128 homens adultos; outra para 144 vagas disponíveis a mães com crianças, gestantes e mulheres; e a terceira com capacidade para até 120 idosos.

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Homenagens e surpresas no segundo dia de desfiles na Sapucaí

Por: Claudia Mastrange

O segundo dia de desfiles das escolas do Grupo Especial, na Marquês de Sapucaí, foi repleto de emoções. Teve desde a estrelíssima Elza Soares enaltecida pela Padre Miguel e ovacionada pelo povão, passando pelo Rio dos sonhos de Paulo Barros – de volta à Tijuca -, ao tombo ‘elegante’ da cantora Lexa, rainha de bateria da Vila Isabel, até a surpreendente e arrebatadora comissão de frente da Beija-Flor, que, junto com a Mocidade, volta a brigar pelo título depois de ter ficado em um modesto décimo-primeiro lugar em 2019. Portela, Mangueira, Viradouro e Grande Rio, que desfilaram no domingo (23) também estão na briga pelo título de campeã.

Autor do samba-enredo, Marcelo Adnet encarnou o presidente da República (Foto Riotur)

A São Clemente abriu os trabalhos, com o enredo que enfocava ‘O Conto do Vigário’ com o rol de espertezas e ‘jeitinhos’ que há tempos assolam as relações sociais e políticas. Na crítica bem-humorada, destaque para a bateria de ‘laranjas’, a ala da grávida de Taubaté e o humorista Marcelo Adnet, autor do samba-enredo da agremiação, que encarnou o presidente da República, com direito a fazer ‘arminha’ com a mão. “Hoje temos o conto do vigário institucionalizado. Mas o samba propõe uma virada, uma mudança nessa realidade”, declarou o artista.

 

 

Beleza em verde e amarelo na ala das baianas da Vila (Foto Diário do Rio)

A Vila Isabel contou, em forma e lenda, a história dos 60 anos de Brasília com o enredo “Gigante pela própria natureza: Jaçanã e um índio”. O Abre Alas monumental, com mais de 70 m de comprimento foi um dos destaques. A rainha de bateria Aline Riscado estava belíssima, mas a apresentadora Sabrina Sato roubou a cena, desfilando ao lado de Martinho da Vila, patrimônio vivo da Vila e da cultura nacional.

O Salgueiro levou para a avenida a história de Silas de Oliveira, o primeiro palhaço negro do Brasil, nascido em 1870. Multitalentoso, era também músico, compositor, ator, acrobata… “É um enredo necessário”, declarou a atriz Érika Januzza, musa da escola, que se emocionou com o desfile. A escola exaltou a representatividade, sempre fazendo referência ao circo, e trouxe Aílton Graça, encarnando Silas..

Salgueiro levou o circo de Silas de Oliveira para a avenida (Foto Diário do Rio)

A rainha das rainhas, Viviane Araújo, brilhou mais uma vez e o carro de som, com os cantores fantasiados de bichinhos, foi um dos mais criativos.

A Unidos da Tijuca levou à Sapucaí o sonho de um Rio perfeito, idealizado pela mente criativa – e campeoníssima – do carnavalesco Paulo Barros, de volta à escola. ‘Onde Nascem os Sonhos’ desenhou um Rio com boas condições de saúde, educação, segurança  e urbanização, bem diferente da cidade que nem água potável consegue oferecer aos moradores. A rainha de bateria Lexa caiu durante a evolução, mas, apoiada pelo mestre Casagrande, levantou e seguiu lindamente. “Já caí e levantei muitas vezes na vida. Eu levanto e sigo em frente”, declarou a cantora.

Um dos desfiles mais aguardados da noite, por homenagear a diva Elza Soares, de 89 anos, a Mocidade Independente de Padre Miguel contou a trajetória da ‘Elza Deusa Soares’, mostrando desde a menina que cantava levando a lata d´água na cabeça e que, no programa comandado por Ary Barroso declarou ter vindo do ‘planeta fome’, até a estrela internacional e referência para as mulheres negras, pobres, batalhadoras do pão de cada dia e do respeito que ainda está longe do ideal. Não é a toa que a letra do samba de Sandra de Sá exalta: ‘Essa nega tem poder!’.

Elza Soares se emocionou com a homenagem da Mocidade (Foto Fernando Grilli/ Riotur)

Determinada a virar o jogo em relação a 2019, quando quase foi rebaixada, a Beija-Flor de Nilópolis causou impacto assim que iniciou o desfile. No Abre Alas, uma turma em motocicletas e figurinos ao estilo ‘Mad Max’ introduziu o enredo, de Alexandre Louzada e Cid Carvalho, ‘Se essa rua fosse minha’, que fala das ruas, estradas e caminhos da vida, desde a criação do mundo.  Rotas da humanidade que, no carnaval, têm como destino a rua mais cobiçada: a Marquês de Sapucaí.

Comissão de frente da Beija Flor causou impacto (Foto Riotur)

Agora é esperar a apuração da quarta-feira para ver que escola fez o melhor caminho para conquistar o título de campeã do carnaval carioca.

 

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Alessandro Monteiro | Circuito Carioca Colunas

Talita Fontainha estreia na Marquês de Sapucaí

Morando no país da Oceania, onde dá aulas, a coreógrafa e dançarina carioca desfila numa escola de samba pela primeira vez, desconstruindo padrões impostos.

Este carnaval não vai ser igual àquele que passou – esta é uma certeza da coreógrafa e dançarina Talita Fontainha. Escolhida para ser musa da G.R.E.S. Renascer de Jacarepaguá e destaque no carro abre-alas da G.R.E.S. Portela, a carioca criada em Realengo desfila pela primeira vez. Coroada em 2019 pelo concurso Australiasian Samba Queen, que acontece anualmente com participantes da Austrália, Nova Zelândia e Ásia, a estreia na Renascer acontece com a fantasia “O terço e flores da cura”, representa toda a fé empregada nestes instrumentos e, por consequência, a cura das enfermidades. Coincidentemente, faz um link com sua trajetória pessoal. Quarta geração de uma família de pastores da Assembleia de Deus, a moça de 32 anos mostrou desde cedo que, embora respeitando sua fé e as tradições de sua família, desconstruiria os padrões.

“Eu sou o ‘patinho feio’ da família. Geralmente as pessoas se convertem e abandonam as festas não religiosas, mas eu fiz o caminho contrário. Fui criada indo à igreja, mas rompi com tudo quando senti o chamado da dança. Meu bisavô, avô e pai foram pastores da Assembleia de Deus. Minha mãe não usava calça, não tinha orelha furada…”, relembra Talita, que conheceu o marido, o biólogo,  na internet.

 

Foto: Divulgação

O contato com a dança aconteceu aos 12 anos nas aulas de jazz e balé contemporâneo, quando ganhou uma bolsa de estudos no Centro Artístico Daniela Marcondes, em Realengo, onde morou até a adolescência. “Fiz o teste para ser bolsista escondida da minha mãe. Quando passei, ela descobriu e não gostou, mas considerou que eu poderia exercer a arte na igreja. Segui meus estudos e, em pouco tempo, participei do meu primeiro grupo, o Grupo de Dança Paulo Gissoni, na Universidade Castelo Branco. Não parei mais”, pontua.

Ao se mudar pra Tijuca, conseguiu uma nova bolsa – dessa vez, no Centro de Movimento Deborah Colker. “Lá realizei meus primeiros trabalhos profissionais: em vinhetas de dança massiva e integrando um grupo fictício de dança que existia na novela ‘Páginas da Vida’, ambos na TV Globo” ressalta. Foi nessa mesma época, aos 17 anos, que participou de uma audição para um show latino em Israel. “Não avisei a ninguém pra evitar torcida contra (risos). Passei, e avisei a minha família apenas duas semanas antes de embarcar, porque precisava de autorização para tirar o passaporte”, diverte-se.

No último dos dois anos que ficou no Oriente Médio, foi convidada a coreografar os Jogos Mundiais Militares 2011 no Rio de Janeiro. O passo seguinte foi o trabalho como coreógrafa no “Dança da Galera”, extinto quadro do Domingão do Faustão, onde atuou por dois anos. “Nessa época, aceitei o convite para coreografar a cerimônia de encerramento das Olimpíadas 2012 e me mudei pra Londres. O trabalho repercutiu e me rendeu o convite para coreografar as cerimônias de abertura e encerramento da Copa das Confederações, da FIFA, aqui no Brasil”, enumera.

Foi na fase em que trabalhou professora de dança responsável pelas coreografias fase que surgiu o contato mais próximo com o carnaval. “Ainda existe esse estigma que, por eu ser negra e carioca, teria que saber sambar, por isso o convite. Eu ainda não sambava tão bem, meus carnavais eram nos retiros da igreja, eu não frequentava o samba. Mas me joguei e fui dar aula do ritmo no navio. O que eu ensinava lá era algo mais intuitivo”, reflete Talita, que hoje mora em Adelaide, na Austrália. “Achava que minha fase de dançar havia passado. Tentei trabalhar num escritório, mas não aguentei e voltei pra dança”, suspira a dançarina.

 

 

Sem perfil para desistir, fez aulas on line com uma professora brasileira para aperfeiçoar seu gingado e, mais segura, aplica-lo na função de professora de uma das melhores escolas de dança do local. Mesmo sem estar tão à vontade com o ritmo, Talita se desafiou mais uma vez, participando – e vencendo – o concurso Australiasian Samba Queen. Foi aí que a chave virou. “O samba é nossa cultura. Eu sou afro-brasileira e o percebo como uma herança direta que não envolve, necessariamente, as minhas crenças”, pontua.

Atualmente dando aulas na Austrália de hip hop, jazz, samba e funk, é apenas com o trabalho que ela mantém a boa forma. E a ansiedade para o desfile, como está? “No ensaio de rua meu coração já batia mais forte, me senti nas nuvens! Não tenho palavras para este momento, só espero a hora de desfilar. Estou super feliz, virei como destaque de chão, sambando pra valer. Quem quiser me acompanhar, venha comigo”, encerra.