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“O mundo precisa mudar”

 

Por Claudia Mastrange

Não é à toa que o ator Deo Garcez tem orgulho de sua trajetória. O menino que viveu uma infância pobre em São Luiz do maranhão viu seu sonho virar realidade ao tornar-se um ator nacionalmente reconhecido.  Nada foi fácil: ele fez acontecer. Começou a fazer teatro ainda menino e lá se vão mais de 40 anos e muita história para contar. Representatividade também o define, já que  procura sempre abordar a temática do racismo em seus trabalhos e há 5 anos  encena  ‘Luiz Gama ─ Uma Voz pela Liberdade’. O espetáculo conta a trajetória do ex-escravo, jornalista, poeta, político, advogado autodidata, que foi responsável pela libertação de mais de 500 escravos. Deo está em cartaz  também com o espetáculo online “Anjo Negro”, baseado no texto de Nelson Rodrigues. Em entrevista ao Diário do Rio, ele fala de como se reinventou na pandemia e o que espera para o país e o mundo em 2021.

Diário do Rio-  Quando iniciou o trabalho com Luiz Gama, imaginava esse estrondoso sucesso e essa longevidade do espetáculo?

Deo Garcez – Não imaginava não. Mas de imediato vimos que a aceitação era muito grande e que iríamos fazer esse espetáculo por um bom tempo. Não que fosse vir até aqui, são 5 anos. Sei que continuará a ser feito. Me vejo velhinho de bengala interpretando Luiz Gama (risos). Porque sempre haverá necessidade de se contar a história dele. A importância dele para o Brasil e para o  mundo.

– Qual a importância de abordar esse tema para o país e os negros?

Deo Garcez – A peça recupera a importância fundamental, na construção desse país, da luta por direitos, da luta em especial pela libertação dos escravos no Brasil. Espetáculos como esse trazem pra hoje e faz ecoar a voz dos nossos ancestrais negros e negras que foram invisiblizados ao longo da história brasileira. História que é sempre manipulada do ponto de visa do opressor, do colonizador, dos poderosos…. Há tantos heróis e heroínas que precisam ser recuperados, como Esperança Garcia, no Piauí; Negro Cosme, no Maranhão…. Líderes que tiveram importância fundamental na luta pela abolição. Quem os conhece? Quase ninguém.

– O racismo é um mal que nunca se acabará?

Deo Garcez – Não sei se acabará. Mas torço que minimize. O mal sempre vai existir, mas nós, do bem, estamos aí para combatê-lo.. Me sinto péssimo diante de tantos acontecimentos relacionados ao racismo.a matança da população negra dentro e fora do país. É traumático ser negro no Brasil porque as mazelas da escravidão continuam até hoje. Cada 23 minutos um jovem brasileiro entre 12 e 19 anos é assassinado. Nos presídios, mais de 70% da população é negra. As muheres negras são duplamente marginalizadas., discriminadas. É urgente que esse genocídio acabe. É preciso que falarmos uma revolução, no melhor dos sentidos, para acabar com essa crueldade que é o racismo.

– Porque decidiu encarnar o “Anjo Negro”? 

Deo Garcez – Decidi encarnar  Ismael porque é uma forma diferente de abordar o racismo, na linguagem de Nelson Rodrigues. Fala do auto- preconceito, é bastante polêmico.  Meu personagem é capitão do mato de si mesmo. Remete as pessoas que, diante de tanta crueldade, se sentem inferiores e renegam sua própria etnia. Sabemos que existem os “Sérgios camargos” (atual presidente da Fundação Palmares) da vida que renegam sua ancestralidade, seus heróis negros. É atual. Nelson bota o dedo na ferida, não tem meias palavras, fala do pior dos sentimentos e da maldade humana.

– Qual a função do artista na sociedade e no Brasil  atual?

Deo Garcez – Além de levar entretenimento, o artista tem uma função educativa muito grande. No sentido de desalienar, politizar as pessoas e a sociedade. No Brasil, além da pandemia e da vulnerabilidade que vivemos, há um momento de negação de direitos, da saúde, da educação, da cultura, das relações exteriores… Nós artistas temos que fomentar esse debate e ver que atitudes políticas  possam ser implementadas para que possamos ter direitos iguais, direito à vida.

– São mais de 40 anos de carreira… Como avalia sua trajetória ?

Deo Garcez – Avalio com orgulho, uma felicidade muito grande por ter realizado meu sonho e ter essa trajetória, essa representatividade. Eu que venho de um subúrbio, negro, com dificuldades, que nunca deixei  que fossem obstáculos para realizar meu sonho. Ser artista não é fácil, ainda mais no Brasil. Sempre  procurei, nos meus trabalhos, abordar a temática afrobrasileira , a luta antiracismo. Isso me dá grande reconhecimento, como a medalha Pedro Ernesto, que recebi na Câmara de Vereadores do Rio, por conta de Luiz Gama.

– Como lidou com a pandemia?  O que reavaliou com tudo que o mundo esta enfrentando?

Deo Garcez – Tenho conseguido produzir de forma  proveitosa, através de leituras, reflexões, experimentações artísticas –  como os dois espetáculos em formato online. Estamos nos adequando a tudo. Nesse momento, chega-se à conclusão que o mundo precisa mudar. Cuidar da natureza, da própria vida, da saúde, sermos menos individualistas, pensarmos no bem comum. Deixar o capitalismo um pouco de lado e pensar no bem coletivo.

– Quais os planos e o que espera para 2021, para você, o nosso país e o mundo?

Deo Garcez – Continuarei Luiz Gama, claro. Anjo Negro continua em janeiro, terceiro ato. Tenho outro texto, que é um monólogo, de Ricardo Torres, diretor de Luiz Gama, para o qual já procuro patrocinador. Fala das minorias, da luta pelos direitos, o preconceito de diversas formas; temática necessária. Tem dois curtas e ainda uma outra peça de cunho histórico…. Muitos planos !( risos). Em janeiro também volta ao ar a novela Salve-se que Puder, em que vivo o médico Emir.

Para o Brasil, espero, que nossos governantes pensem e coloquem em prática políticas públicas que favoreçam aqueles que estão à margem e são uma grandíssima maioria. E também combater o racismo que mata nossa população negra. Que nas nossas escolas se conte a verdadeira História do Brasil, que a Lei 10.639  (que obriga o ensino da história da África e a importância dos negros na formação do Brasil) seja colocada em prática. Que se pense realmente num Brasil para todos, com saúde e educação de qualidade, moradia digna e igualdade de direitos de modo geral.

Foto: Vivian Fernandez 

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Rio TV & Famosos

Loloucas: Heloísa Périssé e Maria Clara Gueiros fazem transmissão online da comédia

Ministério do Turismo e Bradesco Seguros 

apresentam

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HELOÍSA PÉRISSÉ FAZ APRESENTAÇÃO ONLINE DE LOLOUCAS

 

A comédia ganha transmissão pela internet, em substituição às apresentações presenciais em Brasília e João Pessoa, canceladas por causa da pandemia.

Atriz encara a passagem do tempo e celebra a amizade com Maria Clara Gueiros, com quem divide a cena, e o diretor Otávio Muller. 

Depois de três temporadas de sucesso no Rio e uma em São Paulo, o espetáculo Loloucas, apresentado pelo Ministério do Turismo e Bradesco Seguros, retorna ao palco, desta vez para uma transmissão online em 18 de dezembro, às 21h, com acesso gratuito. A peça, gravada no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, no Rio de Janeiro, será transmitida pela Plataforma “Com Você” da Bradesco Seguros, em substituição às apresentações presenciais nas cidades de Brasília, João Pessoa, que fariam parte de uma turnê nacional, interrompida pela pandemia. O espetáculo ficará disponível por um mês.

No palco, a atriz, autora e roteirista Heloísa Périssé faz reflexões sobre as mudanças, crises e transformações após a entrada na casa dos 50 anos, além de exaltar a amizade com a parceira de longa data Maria Clara Gueiros, sua companheira de cena, e Otávio Muller, diretor da montagem. As atrizes dão vida a duas velhinhas para falar, com humor, sobre a inexorável passagem do tempo e os laços que as unem.

“Quando cheguei aos 50 anos, pensei: não vou ter mais 50 pela frente. Então, quero canalizar essa energia de uma forma sábia”, resume Heloísa, sobre seu momento de vida. “Pensei inicialmente em fazer um monólogo, mas ao dar vida à interlocutora da minha personagem pude trazer para este projeto uma amiga muito querida, com quem trabalho há uns 30 anos”, explica Heloísa sobre a parceira de cena, Maria Clara Gueiros.

No espetáculo, as velhinhas, assíduas frequentadoras de teatro, chegam atrasadas a uma peça e, ao tentarem ir embora, se dão conta que estão no palco, onde, a partir daquele ponto de vista inédito, acabam se abrindo sobre suas histórias de vida e virando protagonistas de seu próprio espetáculo.

Quem costura a trama é o experiente ator e diretor Otávio Muller, que optou por uma cena sóbria, elaborada pelo cenógrafo Dado Marietti, onde o foco é o trabalho das duas atrizes: “A coisa que mais me interessa é a comunicação, baseada em um texto vivo. Em geral, vou pelo caminho do que é mais simples, como fazia o Asdrúbal (Trouxe o Trombone), por exemplo, e como fiz n’A vida sexual da mulher feia e em Josephine Baker, duas experiências especiais que vivi como diretor”, explica Otávio.

A opção pela montagem despojada é percebida também na caracterização das personagens, sintetizada nos figurinos de Teca Fichinski, que dispensam acessórios como dentaduras. “O mais importante é o trabalho de corpo, voz e interpretação, em detrimento de suportes muito literais”, destaca o diretor, que conta ainda com a iluminação de Paulo Cesar Medeiros para acentuar os climas do espetáculo.

Autora do texto e também das letras musicadas por Max Viana, diretor musical e compositor da trilha sonora da peça, Heloísa analisa: “A grande conclusão é que a vida começa a acontecer na sua plenitude quando se perde o medo de perder. A partir de uma certa idade, podemos nos sentir mais livres de julgamentos. É um momento maravilhoso, onde, sem medo, se perde o telhado para ganhar as estrelas. E as duas personagens ensinam a envelhecer com muita alegria”.

Ficha técnica

Texto: Heloísa Périssé

Direção: Otávio Muller

Elenco: Heloísa Périssé e Maria Clara Gueiros

Cenografia: Dado Marietti 

Criação de conteúdo: Dado Marietti

Iluminação: Paulo Cesar Medeiros

Figurinos: Teca Fichinski

Direção Musical e Trilha Sonora: Max Viana

Marketing e Programação Visual: Inova Brand

Coordenação de Produção: Filomena Mancuzo

Coordenação do Projeto: Heloísa Périssé

RealizaçãoH P Produções Culturais

Apresentação: Circuito Cultural Bradesco Seguros

Crédito das fotos anexadas: Marcos Jacob

Serviço

Data: 18 de dezembro de 2020

Horário: 21h*

Locação da gravação: Teatro Clara Nunes – Rio de Janeiro

Classificação etária:  12 anos

Duração: 60 minutos

Acessibilidade: intérprete de Libras e audiodescrição

*Transmissão na Plataforma Com Você no YouTube da Bradesco Seguros e no Instagram @bradescoseguros. O espetáculo ficará disponível na plataforma até 18 de janeiro de 2021.

Circuito Cultural Bradesco Seguros

Manter uma política de incentivo à cultura faz parte do compromisso do Grupo Bradesco Seguros com a conquista da longevidade com qualidade de vida, considerando a cultura como ativo para o desenvolvimento dos capitais do conhecimento e do convívio social. Nesse sentido, o Circuito Cultural Bradesco Seguros se orgulha de ter patrocinado e apoiado, nos últimos anos, em diversas regiões do Brasil, projetos nas áreas de música, dança, artes plásticas, teatro, literatura e exposições, além de outras manifestações artísticas.

Dentre as atrações realizadas recentemente, destacam-se os musicais Bibi – uma vida em musicalBem SertanejoLes Misérables60 – Década de ArrombaCinderellaChacrinha, O MusicalElis – A MusicalA Família AddamsO Rei Leão e Wicked, além da Série Dell’Arte Concertos Internacionais, Ballet Zorba, O Grego e a exposição inaugural da Japan House, Bambu – histórias de um Japão.

Cuidado rigoroso

A produção do espetáculo seguirá todos os protocolos e recomendações relacionados à prevenção da Covid-19 tais como a restrição do número de profissionais nas montagens, o rigor no controle de circulação nas dependências do teatro (apenas pessoas a trabalho) e a medição da temperatura de todos os profissionais antes do acesso. As áreas ocupadas serão frequentemente higienizadas e haverá a disponibilização de álcool gel, além da distribuição de máscaras para todos os envolvidos. Outras ações são a higienização do material antes de entrar no teatro (cenários, figurinos etc.)  e o impedimento do consumo de alimentos e bebidas no local. Haverá, ainda, a presença de um bombeiro brigadista durante as atividades, para assegurar que todas as medidas serão cumpridas.

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Notícias do Jornal TV & Famosos

Marcelo Serrado canta de Frank a Wando

O Teatro Prudential retoma suas atividades com o Festival Grandes Clássicos da MPB ao Ar Livre. Nesta edição recebe o ator Marcelo Serrado em seu show Marcelo Serrado canta de Frank a Wando. A direção musical é de Claudia Elizeu. O evento acontece no período entre 30 de outubro a 1 de Novembro. Na Sexta e Sábado o horário é às 20h00 e no Domingo às 18h00

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Alessandro Monteiro | Circuito Carioca Colunas Destaque

Jane Di Castro, morre no Rio aos 73 anos

Morreu, aos 73 anos, nesta sexta-feira (23), a atriz , travesti e pioneira na causa  Jane Di Castro. Ela que é reconhecida por desbravar a causa LTBG desde a ditadura, um grande ícone  da cultura drag no Brasil, estreando  em 1966 o primeiro espetáculo de travestis liberado pela censura. Ela que  foi batizada como Luiz de Castro, estava lutando contra um câncer no fígado desde setembro deste ano e faleceu nesta manhã, no  Hospital de Ipanema, na Zona Sul do Rio.
Foto: Reprodução/ Facebook
Jane integrou o elenco de  ” A Força do Querer”, novela da Rede Globo, escrita por Glória Perez. Nascida e criada em Osvaldo Cruz, Zona Norte carioca, Jane enfrentou desde nova o preconceito por ser travesti. Nos anos 1960, trabalhou como cabeleireira em Copacabana, até que 1966 estreou, no Teatro Dulcina,  o primeiro espetáculo com homens vestidos de mulheres autorizado pela censura, em 1966, o “Les girls em Op Art”. Contudo, durante a ditadura, Jane foi perseguida por realizar shows no Teatro Rival e na Praça Tiradentes.
Jane Di Castro (Foto: André Nizak, Paris, anos 70)
O nome Jane Di Castro foi sugerido por Bibi Ferreira, um dos ícones das artes cênicas que a dirigiu, como fizeram, mais tarde, Ney Latorraca e Miguel Falabella. Em 2001, abriu seu próprio salão em Copacabana, sem jamais deixar a carreira artística de lado. Também estrelou ao lado de Rogéria, Divina Valéria, Camille K, Eloína dos Leopardos, Marquesa, Brigitte de Búzios e Fujika de Halliday, o espetáculo de drags “Divinas Divas”, por dez anos, no Teatro Rival. O show também deu nome ao premiado documentário dirigido por Leandra Leal, lançado em 2016.
Moradora do bairro de Copacabana, Zona Sul do Rio, vizinha do luxuoso Belmond Copacabana Palace, Jane era muito querida e respeitada pelos moradores do bairro, que sempre tietavam a grande diva, que carinhosamente beijava todos com seu batom vermelho.  Também manteve uma união estável por mais de 50 anos com Otávio Bonfim, que morreu em 2018. O casamento foi oficializado em 2014, depois de 47 anos vivendo juntos, em uma cerimônia coletivo que reuniu 160 casais LGBT. Ela que também participou do filme “De perto ela não é normal”, escrito e protagonizado por Suzana Pires, que entra em cartaz nas principais salas de cinema na próxima semana interpretando a personagem Geralda Maltêz. Aqueles que desejarem matar a saudade desse grande ícone das artes, poderá comparecer as principais salas de cinema, a partir da semana que vem, onde o filme estará em cartaz.

 

 

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Cultura Destaque

“A Cigarra e a Formiga – O musical

Inspirado na fábula de La Fontaine, a versão musical do clássico infantil adaptada e dirigida por Allan Ragazzy, ganha novos personagens e músicas originais. Dona Formigana, que vive para o trabalho e os filhos: Formigalha e Formiguel, mora em um formigueiro administrado por um Zangão e assegurado por um grillo. Um dia, o formigueiro recebe uma inesperada visita que torna o local uma verdadeira confusão: Uma Cigarra cantora, vinda da cidade, chega de surpresa para passar alguns dias na região.

Incomodada com a preguiça da cigarra, que só pensa em cantar, Dona Formigana, diz a ela que se não colocar a mão na massa passará fome e frio no inverno. O frio chega, com direito a neve cenográfica caindo sobre o palco, e a Cigarra, desamparada, pede ajuda para a formiga. Após muita resistência, a dona do formigueiro decide abrigar a Cigarra, desde que ela anime e aqueça os outros hóspedes com sua bela voz.

Os arranjos musicais trazem a influência das canções africanas, criando o clima perfeito para o ambiente da peça. Há também jazz, R&B e funk para os números musicais, acompanhados de grandiosos arranjos vocais.

Elenco:

Gabi Rocha – Formigana

Lola Mora – Cigarra

Alanna Bergano – Formigalha

Hugo Faro – Formiguel

 

Ficha Técnica: 

Texto, Direção e Canções Originais – Allan Ragazzy

Assistente de Direção – Kelly Maurelli
Direção e Produção Musical – Denis Goursand
Coreografia – Pablo Ventura
Cenário – Mario Pereira

Adereços – Márcio Menta
Figurino – Paulo Kandura
Iluminação – Allan Ragazzy

Caracterização – Susana Cardoso

Arranjos Instrumentais – Denis Goursand e Nélio Jr.
Fotografia – Helmut Hossmann

Produtor Associado – Allan Ragazzy
Direção de Produção – Deise Reis e Leandro Bispo

Serviço:

17 de outubro a 29 de novembro

Dias: sábados e domingos

Horário: 17 horas.

Ingressos: entre R$ 20,00 e R$ 60,00

Sympla:  https://bileto.sympla.com.br/event/64404/d/89303

Classificação etária LIVRE

Duração 60 minutos.

Teatro Miguel Falabella -Norte Shopping

Endereço: Av. Dom Hélder Câmara, 5474, Rio de Janeiro – Rio de Janeiro

“A cigarra e a Formiga” estava em temporada (7 de março a 5 de abril), interrompida em 13 de março, devido à Pandemia.

O Teatro Miguel Falabella entende o fundamental papel da cultura e do entretenimento, principalmente em tempos de pandemia. Por este motivo, as medidas de enfrentamento à Covid-19 e os protocolos sanitários de segurança são muito importantes e devem ser seguidos rigorosamente.

Seguiremos as orientações constantes das Regras de Ouro da Prefeitura do Rio de Janeiro, do Estado do Rio de Janeiro, além das recomendações do Ministério da Saúde: – Nesse primeiro momento o teatro funcionará com até 30% da capacidade, seguindo as medidas de higienização entre as sessões; – NÃO SERÁ PERMITIDO ENTRAR SEM MÁSCARA (a máscara não pode ser retirada dentro do teatro); Não será permitido entrada no teatro com temperatura igual ou superior a 37,8 graus; e outras.

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Decreto autoriza reabertura de cinemas e teatros em algumas regiões do Rio

No mesmo decreto, publicado na quarta-feira pelo governo estadual do Rio, que prorrogou o fechamento de escolas até 14 setembro (as particulares) e 5 de outubro (as públicas), cinemas e teatros já foram autorizados a reabrir a partir desta quinta-feira. Mas só podem funcionar os estabelecimentos culturais nas regiões onde é considerado baixo o risco de contaminação — da Baía da Ilha Grande, Baixada Litorânea, Metropolitana I, Metropolitana II, Noroeste, Norte e Serrana (bandeira amarela).

No entanto, o estabelecido pelo governo tem caráter de recomendação, ou seja, o estado reforçou que “os municípios têm autonomia para manter suas determinações”. Portanto, o funcionamento de estabelecimentos culturais na capital do estado, por exemplo, poderá ser determinado pela prefeitura.

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Diretor de novelas de sucesso, Marco Rodrigo promove curso online de interpretação para TV e cinema

Diretor de novelas de sucesso como “Fina Estampa”, “Negócio da China”, “A Favorita”, “Pé na Jaca”, “Cobras e Lagartos”, “Senhora do Destino”, entre outras, Marco Rodrigo – que atualmente está à frente da nova temporada do humorístico “Tô de Graça”, ministrará um curso, livre e online destinado a iniciantes e avançados, de interpretação para TV e cinema.

O objetivo é aproximar o ator da câmera, desvendando seus mistérios através de textos e situações cotidianas do mercado de trabalho.A metodologia desenvolvida pelo renomado diretor proporciona aos alunos o domínio das técnicas de atuação para câmera, permitindo que eles desenvolvam suas habilidades cênicas nas linguagens de televisão e cinema.

Entre os temas abordados, estão: posicionamento diante das câmeras, impostação vocal, conscientização de enquadramento, postura cênica e linguagem naturalista, entre outros exercícios específicos para atuação.

A partir da gravação de cenas dramáticas e de constante avaliação do professor, são trabalhadas técnicas de posicionamento em cena, noções de enquadramento, áreas, planos e movimentos das câmeras, entre outros exercícios específicos para atuação na câmera para iniciantes e avançados.

Inscreva-se clicando aqui

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César Boaes e sua paixão pela arte

Por Alessandro Monteiro

Luis César Boaes Melo, consagrado artista, produtor, diretor e comediante maranhense, nascido em São Luís. É o mais novo de três irmãos, e viveu uma infância tranquila na cidade de Pedreiras, onde cresceu acostumado a ver o pai ler, escrever e apresentar a eles a poesia e a música.

No currículo, são mais de 30 anos de carreira e sucesso absoluto do espetáculo “Pão com Ovo”, espetáculo recorde de público, visto por mais de 1 milhão de pessoas.

 

Qual o segredo desse grandioso sucesso da comédia “Pão com Ovo”?

Muito trabalho, acordamos e vamos dormir pensando e trabalhando. Temos um bom network e muita preocupação com o que é postado, tantos nas redes sociais do projeto, como nas nossas redes pessoais.

Pensamos um passo de cada vez, muita paciência. Estamos muito preocupados hoje com o bom conteúdo, um bom roteiro, sem pressão de fazer só por fazer. Às vezes, demoramos para entregar o vídeo novo, mas não criamos uma obrigação de entregar conteúdo para o nosso público, quando vem a inspiração fazemos.

Tudo é muito bem pensado, temos o marketing como um aliado. Somos muito gratos a todos que nos ajudaram nessa nossa trajetória de quase nove anos. Sempre mandamos mensagem, mimos e citamos essas pessoas. Temos muito respeito pelo nosso público e ao final de cada espetáculo, tiramos fotos com todos. É o mínimo que podemos fazer para retribuir o carinho que eles têm com o nosso trabalho.

Uma fila gigantesca é organizada para receber todos, até o último na praça ou no teatro. Guardamos sempre parte do que recebemos para um fundo da Companhia, esse dinheiro é investido em novos projetos, novas temporadas etc.

O empreendedorismo cultural nos faz ir a frente. E não paramos no tempo, não nos acomodamos, sempre temos novidades para o nosso público. É para eles que trabalhamos.

Com mais de 30 anos de carreira, você agrega um currículo de personagens fortes e dramáticos, não é? Como surgiu essa veia para comédia?

Na verdade, desde que comecei a fazer teatro aos 13 anos, estou com 47, soma aí o tempo de teatro (risos), sou péssimo com os números, tudo que eu fazia sempre ficava engraçado. Estudei um pouco a técnica do clown, cresci numa região do Maranhão onde as pessoas são muito engraçadas, sempre irônicas e debochadas, essa observação me ajudou muito.

Fiz um espetáculo de grande sucesso chamado “Catirina” com direção de Fernando Bicudo em que eu fazia a parte cômica do espetáculo. Depois enveredei só pelo drama, sou um ator dramático, e modéstia parte consigo passear pela comédia com tranquilidade.

Um grande mestre meu de teatro ensinou que na vida a gente ri e a gente chora, senão seria insuportável a vida sem esse equilíbrio. As pessoas se acostumaram comigo fazendo drama e esqueceram que eu fiz a comédia por seis anos em “Catirina”.

Quando eu comecei a fazer “Pão com Ovo”, uma comédia de costumes, com influência do nosso conterrâneo Arthur Azevedo, as pessoas estranharam muito. E hoje grande parte do público que acompanha meu trabalho se acostumou e esqueceu que eu fazia drama.  O maranhense é um povo engraçado. O nordestino ri de si mesmo, acho isso maravilhoso, não se leva tão a sério, a gente dessacraliza muita coisa.

Foto: Divulgação

A ideia de inserir tantas críticas sociais no espetáculo, seria uma forma de dar voz ao povo nordestino?

Sim, essa necessidade é gritante. Não podemos perder essa oportunidade de criticar uma sociedade tão machista, sexista, homofóbica e preconceituosa. O humor permite isso de forma muito direta.

Hoje temos um alcance enorme de público e através do nosso conteúdo, servimos de porta voz a muitos nordestinos, sem ser panfletária ou só o lacre pelo lacre.

O nosso Facebook tem 415 mil seguidores, não podemos fazer o humor só pelo humor, temos na mão uma ferramenta muito poderosa, muita gente sendo representada em nossos vídeos ou pelo que apresentamos no palco.

Com tantos problemas enfrentados pela Cultura, você acredita na possibilidade de o governo criar políticas de fato, para expansão da arte?

Fiquei muito triste com o tratamento que o atual governo federal tem dado à cultura, a coisa ainda não engrenou e não se se vai para a frente, talvez pelas perspectivas e nomes especulados. A gente vai continuar cobrando, dando pressão. Mas não vejo muita saída, nem uma luz no fim do túnel, a luz será nós artistas que iremos acender com muita criatividade, jogo de cintura e buscando novas alternativas.

Mas a cultura é também de responsabilidade do Estado, é uma obrigação, assim como, a saúde, segurança, educação, pois não existe nação sem cultura. Estamos aí, na luta pelo fundo de Cultura. Aqui no Maranhão, tenho muitas esperanças na boa vontade da Secretária de Cultura do Estado, inclusive em relação a essa crise da pandemia. Assim que começou a quarentena, a Secretaria lançou um projeto de lives pagas para os artistas como uma forma de proporcionar renda.

Foto: Divulgação

Uma paixão?

O teatro. Quando estou no palco não sinto falta de nada, me sinto completo.

Outra relação e influência bacana que você construiu, foi essa paixão das crianças. Como é receber esse carinho?

Temos um público infantil enorme, recebemos com frequência declarações, áudios de crianças que acompanham o “Pão com Ovo”. É uma geração que vai crescer e ter nosso trabalho como referência e lembrança. É muito gratificante, quando fazemos o espetáculo em praça pública o espaço da frente do palco e toda reservada para eles, é lindo de ver. São os erês que nos dão energia e nos motiva a continuar.

Como surgiu “Pão com Ovo”? 

Surgiu dentro das empresas, fomos contratados para fazermos duas secretárias que atendiam muito mal, aí criamos a Clarisse e Dijé, fizemos por dois anos, elas pagaram muitas contas nossas (risos). Eu percebi que funciona muito e que as pessoas riam bastante. Então, resolvi fazer um roteiro e transformar em espetáculo, que já se vão quase nove anos de história.

Podemos esperar alguma readaptação para esse ano?

Esse ano estreamos o “Cabaré do Pão com Ovo”, outro grande sucesso. Fizemos doze sessões no Teatro Arthur Azevedo, todas esgotadas. É um novo espetáculo.

Foto: Divulgação

 

O povo nordestino ainda sofre muito preconceito no país. Como tem vencido essa barreira?

A internet tem ajudado muito nessa divulgação. Hoje muitos artistas nordestinos não precisam estar nas grandes mídias nacionais para fazerem sucesso.

Aqui no Nordeste temos vários exemplos, a gente mesmo coloca sete mil pessoas em praça pública, vídeos com milhões de visualizações e não estamos na grande mídia nacional.

Nós sofremos preconceitos quando fomos pela primeira vez na nossa temporada para o sudeste, mas vencemos muitas barreiras, um grupo nordestino, atores desconhecidos, um espetáculo chamado “Pão com Ovo”, homens vestidos de mulheres em um teatro de shopping da zona sul do Rio de Janeiro, “o sertanejo é antes de tudo um forte” já dizia Euclides da Cunha.

A temporada foi um grande sucesso e até prolongamos por mais 15 dias. Já estamos na nossa quarta temporada nos grandes teatros do Rio e percorrendo outras capitais do Brasil. “A vida é combate que aos fracos abate”. A barreira é vencida porque o nordestino é um povo que tem orgulho da sua cultura.

Foto: Divulgação

 Me fala da Clarisse?

Uma mulher que me ensinou muito.  O personagem me fez entender muito o universo feminino. Clarisse é uma crítica a essa classe média brasileira que se acha rica, elitista, mesmo que para isso tenha que usar grifes falsificadas para se sentir aceita. Mas que no fundo gosta mesmo é do mocotó e tem um pé na breguiça que ela tanto crítica.

Uma saudade?

Dos que já se foram para o outro plano espiritual. Saudade de um Brasil sem esse fundamentalismo religioso, saudade de uma época eu que nem pensávamos na possibilidade da volta de um poderio militar no poder. E nessa época de pandemia saudade do contato com a natureza, até porque, o   Maranhão é exuberante.

O Estado do Maranhão é bastante rico culturalmente. O que mais te encanta?

A diversidade cultural, aqui é um celeiro de manifestações populares. Para mim que sou ator é encantador essa pesquisa nos terreiros e nos arraiais. O Brasil precisa conhecer a força e a riqueza dessa cultura.

A maior dificuldade hoje é?

Receber diariamente tantas notícias ruins e não surtar. Estou me afastando de pessoas que defendem as barbaridades e a ignorância. Isso não quer dizer que não aceito quem discorda de mim, não, não é isso, é de quem é cruel, desumano. Preciso me proteger de tanta negatividade. Hoje uso muito o filtro, não do Instagram (risos) mas os filtros da vida.

 

Foto: Divulgação

Teria algum projeto novo para depois da pandemia?

Um artista não pode viver sem projetos, sem sonhos. Nunca fui de ficar só reclamando, esperando cair do céu. Eu sempre me produzi. Durante esta pandemia estamos trabalhando bastante, estamos em casa gravando vídeos para nossas redes sociais.

Estamos no palco apresentando o “Pão com Ovo” em um projeto lindo do Sesi, um caminhão vira palco e apresentamos a comédia dentro de condomínios populares. As pessoas assistem das janelas e alguma descem mantendo o distanciamento necessário. São oito apresentações desse projeto, tem sido emocionante.

Temos que driblar a crise e procurar alternativas, este mês de junho, iremos estrear um programa de rádio “Barracão do Pão com Ovo”, um sonho antigo meu de fazer rádio.

Um programa ao vivo, numa grande emissora de São Luís, de segunda a sexta, com uma hora de transmissão. O programa será todo dedicado a cultura popular do período junino, já que não haverá a festa nas ruas.

O rádio será uma nova plataforma que iremos experimentar. Quando a pandemia passar voltaremos a gravar nosso quadro semanal de humor no programa “Daqui”, na TV Mirante afiliada Rede Globo local. E temos temporada de um fim de semana em Brasília no Teatro da Unip. Os ingressos já estavam quase todos vendidos quando chegou a pandemia. Além de uma temporada de dois meses no Teatro Ruth Escobar em São Paulo, o longa metragem do” Pão com Ovo” também seria gravado agora em junho, mas temos que rever a nova data de gravação.

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Alexandre Guimarães, um ator visceral!

Por Alessandro Monteiro

Pernambucano, Alexandre Guimarães é ator brasileiro com formação profissional em audiovisual, com vários trabalhos em publicidade nos estados da Bahia, Pernambuco, Sergipe e Rio Grande do Norte. Atualmente produz e atua no espetáculo solo “O Açougueiro”, o qual vem tendo excelente resposta de crítica e público.  Também participou de novelas de sucesso na Rede Globo e ganhou importantes prêmios do teatro.

Num país com tantos rótulos e desigualdades, você tem a coragem de subir ao palco para tratar de temas como preconceito, intolerância e feminicídio. É preciso muita coragem né?

Quando algo nos atinge profundamente como o tema violência doméstica e a invisibilidade de suas vítimas, percebo que a dificuldade sobre esses assuntos serve de combustível para a criação do artista. É quase como ação e reação. Somos atingidos por algo e nos defendemos através de nosso trabalho.

E a receptividade do público?

A estreia de “O Açougueiro” aconteceu em Recife e foi fantástica. Depois parti para o interior do estado e foi incrível. Achava que pelo espetáculo se passar no Nordeste seria algo muito local. Mas percebi que era universal quando passei a circular pelo país inteiro e ser muito bem recebido. Percebi que o trabalho se conecta a algo universal: a luta por direitos oprimidos.

Como surgiu a ideia de montar o espetáculo?

Mais uma vez a dificuldade foi a motivação. Havia saído de um grupo teatral o qual fiz parte por muitos anos e não recebia convites para outros espetáculos. Ou seja, não havia trabalho e decidi criar minhas próprias oportunidades.

 

Foto: Lucas Emanuel

 

Esse teatro próximo do ritualístico pode ser considerado uma nova tendência dos próximos anos?

Sinto que o teatro com essa ligação no ritualístico, no simples, quase feito artesanalmente, é uma tentativa de entendermos nossas origens, de onde viemos e assim e entender como chegamos a esse cenário que estamos hoje. O ser humano busca, principalmente hoje, uma vida mais simples e mais consciente.

Você é também referência, quando o assunto é campanhas publicitárias. Como sente o momento atual? Acredita na boa recuperação ou será preciso recriar formas de se comunicar?

A publicidade pode ser uma enorme aliada ao trabalhador das artes cênicas. Comecei a atuar em propagandas desde muito jovem e foi uma escola incrível para aprender a lidar com a câmera e o uso da voz em um microfone. A publicidade vai seguir existindo, sempre seguiu. Ela se adapta e migra para outras mídias como redes sociais, internet, mas se mantém forte. Atualmente faço campanhas para todo o Nordeste e tenho muito orgulho de saber escolher onde emprestar minha imagem e faço sempre com muita dignidade.

A classe artística, dentre tantas outras é considerada a segunda mais prejudicada com a crise da pandemia. Como vem enfrentando isso tudo?

Percebo que na maioria das vezes quando se fala em artista, as pessoas pensam em nomes da TV, estrelas do sertanejo etc. Na verdade, esquecemos de olhar para um infinito de trabalhadoras e trabalhadores anônimos que fazem a indústria cultural no país. Imaginemos como deve estar a vida das famílias de pequenos circos que circulam pelas periferias e interiores, os profissionais da música que trabalhavam em bares a noite, eletricistas que montavam palcos, carregadores que prestavam serviço nos teatros… Sem falar nas pessoas do audiovisual, como camareiras, motoristas, cozinheiras. O ator e a atriz são apenas a pequena ponta do iceberg. E estamos todos derretendo.

 

Foto: Lucas Emanuel

 

Como foi o laboratório para criar um personagem tão expressivo?

Em O Açougueiro interpreto 9 personagens e estou sozinho em cena o tempo todo. O monólogo se passa no sertão e conta a história de um homem pobre. Eu e o diretor Samuel Santos sentimos a necessidade de mergulhar nesse universo para ter mais pertencimento. Fui ao interior conhecer as pessoas que viviam essa realidade na pele. Junto com a preparadora corporal Agrinez Melo, passamos dias visitando matadouros e pequenos criadores. Foi transformador.

Se pudesse realizar um sonho hoje, qual seria?

Tenho um filho de dois anos e espero que ele possa em breve voltar a se encontrar e abraçar seus amigos, avós, que não tenhamos mais medo de uma doença invisível e que ataca nosso melhor lado que é o afeto ao outro.

Ator é?

Poder aprender com seus personagens como ser um ser humano melhor.

Como ator nordestino premiado, certamente você é inspiração para muitos que estão iniciando. Deixaria um conselho?

Acredite no que o seu interior lhe diz. Estude, busque seu espaço com dignidade e jamais se martirize com os nãos que vai receber por esse caminho. Siga.

Foto:  Lucas Emanuel

Temos a sensação de que tudo parou. Nada mais acontecerá esse ano. Concorda? Mas certamente, a esperança caminha lado a lado. Quais novidades podemos esperar para o recomeço?

O mundo como vivíamos foi interrompido, mas a vida sempre nos deixa possibilidades. Em março estava trabalhando em dois espetáculos praticamente às vésperas de estreia. Patrocínios foram cortados e pautas suspensas. Mas sigo em casa relendo os projetos, tentando adequar aos novos tempos. Decidi criar o Teatro Live, uma iniciativa onde realizo leituras dramáticas ao vivo no meu perfil do Instagram semanalmente e convido outros colegas. Uma maneira de seguir trabalhando e levar mais leveza às pessoas.

Três frases?

Via de regra, cada um de nós morre uma única vez. Só o ator é reincidente. O ator ou a atriz pode morrer todas as noites e duas vezes aos sábados e domingos. (Nelson Rodrigues)

Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples. (Manuel Bandeira)

Quando o mundo lhe fechar a porta, arrodeie. (Alexandre Guimarães)

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Alessandro Monteiro | Circuito Carioca

Teatro em casa para crianças

Disponibilizada gratuitamente nas redes sociais do Centro Cultural Light, entre os dias 9 e 15 de maio, a peça teatral retrata uma pane num videogame, onde os componentes ganham vida. O jogo “Splash” tem como objetivo ajudar uma Gota a encontrar outras iguais a ela para formar um rio. A encenação apresenta o tema da busca da felicidade de forma lúdica. A pane do jogo é consequência da crise existencial dos personagens. Eles começam a se questionar sobre suas convicções, seus desejos e percebem que têm escolha, algo impensável até então.

Alguma semelhança com o nosso momento atual? Confira você mesmo nas redes sociais do @centroculturallight) – Facebook e Instagram.

Sobre o espetáculo:

Um aparelho de videogame está em pane. Seus componentes, por algum motivo desconhecido, não funcionam mais como programado. Isso nunca havia acontecido. A pane foi tão grande que esses componentes ganham vida e resolvem descobrir o que aconteceu. Nessa busca, eles se deparam com o jogo que eles mesmos operavam. Trata-se do jogo Splash, cujo objetivo é ajudar uma Gota a encontrar outras iguais a ela para formarem um rio. Então eles resolvem ajudar esse ser virtual a cumprir seu objetivo para que tudo volte ao normal.

A encenação apresenta o tema da busca da felicidade de uma maneira lúdica e divertida. Os cinco personagens estão em crise existencial: a pane do jogo foi consequência dessa insatisfação, dessa incompletude de cada ser. E eles começaram a se questionar sobre suas convicções, seus desejos e perceberam que tinham escolha, algo impensável até então. De forma análoga, essas situações e sensações são experimentadas também por crianças, principalmente quando começam a se perceber como indivíduos no mundo.

Para esses dilemas, não existe uma solução ou fórmula: cada ser humano precisa mergulhar dentro de si para encontrar as possíveis respostas. Da mesma forma, no espetáculo as questões são levantadas e não se resolvem. Na narrativa dos componentes e no percurso da gota eles se transformam, experimentam e voltam ao ponto de partida. Mas essa volta não é a mesma, pois eles não são mais os mesmos. Foram transformados pelo percurso, pela reflexão que toda aquela situação gerou. Mais que respostas, são as perguntas que os moveram, que os transformaram.

Esse espetáculo da República Ativa de Teatro é resultado do projeto “A Parte Que Falta”.

FICHA TÉCNICA 

Direção: Rodrigo Palmieri

Dramaturgia: Vivi Gonçalves

Elenco: Fernanda Oliveira, Leandro Ivo, Thelma Luz, Thiago Ubaldo e Vivi Gonçalves

Direção de Vídeo, Jogos e Animações: Pri Argoud

Direção Musical, Trilha Sonora e Sound Designer: André Grynwask

Iluminação: Rodrigo Palmieri

Cenário e Arte Gráfica: Leandro Ivo

Figurinos: Thelma Luz

Fotos: Cacá Bernardes Vídeo: Bruta Flor

Produção: Fulano’s Produções Artísticas

Créditos: Cia República Ativa |Redes sociais: www.republicaativa.com.br Facebook.com/RepublicaAtiva
Parceria: Kommitment Produções Artísticas
Duraçāo: 50 min
Livre para todos as idades
Faixa etária: A partir dos 5 anos.
É proibida a reprodução total ou parcial do espetáculo sem autorização.