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UPAs do Rio de Janeiro terão Fisioterapia

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou em sessão virtual o Projeto de Lei nº 2942/2020, que prevê a criação da Unidade de Pronta Resposta de Urgência em Fisioterapia (UPRUF) em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) 24 horas.

A UPRUF é uma unidade composta por um grupo de profissionais com conhecimento específico para ofertar assistência fisioterapêutica imediata ao paciente, nas UPAs 24h. A equipe fará o primeiro atendimento e, após a assistência emergencial, o paciente será encaminhado para acompanhamento para que aquela situação para não agrave. Resultando em menos custos para a Saúde estadual.

Buscando um olhar de que o profissional da fisioterapia precisa ser valorizado, o presidente do Crefito-2, Dr. Wilen Heil e Silva comentou após a aprovação do texto pelos Deputados, e afirmou que o resultado é uma vitória não só dos fisioterapeutas do Estado do Rio de Janeiro mas de todo o povo brasileiro que passará a ter acesso a esta assistência em nosso Estado. Hoje o Crefito-2 não é um time e sim uma família, composta por diferentes entidades (SINFITO-RJ, AFERJ, ABFO, ABRAFIN, AFQ, ABRAFISM, ASSOBRAFIR-RJ, ABRASFIPICS entre outras), que juntas com cada colega que compõem nossas representações e participam de nossos grupos, fazem acontecer. e agradece a todos os deputados estaduais que entenderam a importância do fisioterapeuta no protagonismo de qualidade de vida à sociedade. A aprovação é resultado do trabalho em conjunto que estamos desenvolvendo e queremos somar, pois somente juntos seremos mais fortes”, comentou Dr. Wilen.

O texto aprovado é de autoria do Deputado Estadual e presidente da Alerj, André Ceciliano e fruto de encontro realizado entre a diretoria e colegiado do Crefito-2 e o parlamentar, em 10 de agosto. Na ocasião, Ceciliano disse que durante o período em que foi prefeito de Paracambi, na Baixada Fluminense, teve uma gestão voltada para a saúde, por meio do Programa Saúde da Família.

Projeto de Lei

O PL nº 2942/2020 autoriza o Governo do Estado a implantar as Unidades de Pronta Resposta de Urgência em Fisioterapia (UPRUF) nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24hs). Além disso, o texto diz que a Unidade de Pronta Resposta de Urgência em Fisioterapia (UPRUF) está em consonância com as estratégias prioritárias da Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE) e dentro das linhas de cuidado ventilatório, cardiovascular, cerebrovascular e traumatológica.

Às UPRUFs compete prestar atendimento resolutivo e qualificado aos pacientes utilizando técnicas de fisioterapia manual, métodos e técnicas com uso de instrumental fisioterapêutico ou quaisquer outros meios devidamente reconhecidos e regulamentados como prática profissional do fisioterapeuta.

Após a aprovação, o texto será encaminhado para sanção do Governador do Estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Caso aprove sem vetos, o documento se torna Lei. Em caso de vetos, o texto retorna à Alerj para apreciação dos Deputados Estaduais.

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Familiares sofrem com falta de notícias nos hospitais

Por Franciane Miranda

Nos últimos dias os brasileiros enfrentam um crescimento nos números de casos da covid-19. Este aumento tem sobrecarregado os hospitais de todo o país e nos maiores centros urbanos a situação é crítica. O sistema de saúde caminha para o colapso, que vão além da falta de profissionais da saúde, de leitos, com as emergências e as UTI’s chegando ao limite. E os familiares de pacientes internados vivem outro drama: a falta de comunicação sobre o estado de saúde dos parentes.

No dia 10 de abril, o vigia noturno Valdemiro Abreu da Silva foi internado. O seu filho, Natanael do Nascimento Silva, nos conta que seu pai era dedicado ao trabalho, nunca foi de faltar ao emprego e, por isso, trabalhou alguns dias sentindo dores. Um dia antes da sua internação o senhor havia completado 66 anos. Mas o esforçado vigia apresentou uma piora nos sintomas que vinha sentindo. Natanael relata que ficou muito preocupado, pois o pai apresentava dores nas costas e no estômago. Decidiu levá-lo para o médico mais próximo na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Rua Siqueira Campos, localizado em Copacabana.

O jovem nos explica que ao chegar à UPA havia uma tenda onde as equipes estavam separando as pessoas que sentiam algum sintoma da covid-19. Ele lembra que os doentes que não apresentavam problemas ligados ao coronavírus entravam por outro local. Natanael precisou esperar mais de três horas para sair o resultado do exame de sangue que acusou infecção urinária. Mesmo apresentando este problema, Valdemiro foi liberado à noite e, em seguida, saiu direto para o trabalho, que começava às 22h.

Mas o momento difícil estava apenas começando: três dias depois o pai de Natanael começou a sentir falta de ar. A família ficou muito assustada e, na mesma hora, levou ele à mesma UPA. Lá Valdemiro foi levado em uma maca de imediato para uma sala vermelha. O médico que lhe atendeu diagnosticou que sua saturação estava baixa e o internou. Seu quadro era mais complexo, pois ele também tinha outros problemas de saúde como hipertensão e diabetes.

Dura realidade

No dia seguinte, Valdemiro Abreu conseguiu uma vaga no Hospital Regional de Volta Redonda e foi transferido para o local. Neste momento, começou o drama da família para conseguir informações sobre o seu estado de saúde. Natanael nos relatou o quanto foi complicado passar por esta fase sem notícias do seu pai. “Não conversamos com nenhum médico, somente com a assistente social na segunda, quarta e sexta-feira”, detalha.

Triste, Natanael relembra o descaso e afirma que ficaram três dias sem nenhuma notícia do seu querido pai. “Porque não conseguíamos ligar. E quando atendiam, às vezes desligavam na nossa cara”. Ao atender as ligações depois de várias tentativas e muitas dificuldades, a informação sobre o estado de saúde era a mesma. “Grave, porém estável, necessitando de respirador mecânico. Nunca melhorou e nem piorou”, explica.

Ele também deixa claro que nunca falou com nenhum doutor que acompanhava o seu pai, apenas com uma assistente que comunicou sobre o tratamento. “Falaram que estavam dando pra ele cloroquina e hidroxicloroquinina”. Infelizmente, o senhor Valdemiro Abreu não resistiu e faleceu no dia 25 de abril, deixando cinco filhos e uma esposa.

Este a é um exemplo da nossa atual dura realidade. A população, além de sofrer com seus parentes doentes e a falta de estrutura da saúde, precisa também enfrentar mais uma dor: a da falta de notícias.

Fotos: Reproduções