A Prefeitura do Rio anunciou, em 25 de setembro de 2026, a estruturação da primeira parceria público-privada (PPP) de ônibus elétricos do Brasil. O projeto terá investimento total estimado em R$ 509 milhões e contará com financiamento de R$ 329 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do Fundo Clima.
A iniciativa prevê a aquisição de 175 ônibus elétricos para o Sistema RIO. De acordo com a Prefeitura do Rio, os veículos deverão começar a integrar a operação municipal no segundo semestre de 2027. O anúncio foi feito no Terminal Gentileza e envolve também a implantação de uma nova garagem pública na Maré, na Zona Norte.
Como funcionará a PPP de ônibus elétricos
A parceria terá duração de 16 anos, divididos entre um ano de implantação e 15 anos de operação. Nesse modelo, a concessionária será responsável por parte da aquisição dos ônibus, pela instalação da infraestrutura de recarga, pelas obras da garagem e pela operação e manutenção dos ativos previstos no contrato.
O investimento total será dividido entre o poder público e a empresa responsável pela concessão. A concessionária deverá aplicar R$ 141,2 milhões, enquanto o município participará com R$ 38,8 milhões. O financiamento de R$ 329 milhões do BNDES completa a estrutura financeira apresentada pela Prefeitura para viabilizar o projeto.
A linha de apoio utilizada está relacionada ao Fundo Clima, programa voltado a iniciativas que contribuem para a redução de emissões e para a transição para uma economia de baixo carbono. Segundo o BNDES, a modalidade de logística de transporte, transporte coletivo e mobilidade verdes contempla projetos ligados a veículos menos poluentes e à infraestrutura necessária para sua operação.
Garagem será construída na Maré
A estrutura destinada aos ônibus ficará em um terreno localizado na Rua Novo Horizonte da Vila do João, em frente à Fundação Oswaldo Cruz, na Avenida Brasil. A área total tem aproximadamente 41 mil metros quadrados, dos quais cerca de 23 mil metros quadrados serão destinados à operação, manutenção, estacionamento e recarga das baterias.
A escolha da Maré coloca a Zona Norte no centro da implantação da nova frota elétrica. A garagem terá uma função operacional estratégica, reunindo os equipamentos necessários para manter os veículos em circulação e realizar o carregamento das baterias. A Prefeitura informou que o projeto está associado à modernização do transporte coletivo municipal e à descarbonização da mobilidade urbana.
O cronograma divulgado ainda depende do cumprimento das etapas de implantação da PPP, incluindo as obras da garagem, a instalação dos carregadores e a aquisição dos veículos. A previsão oficial é que os primeiros ônibus elétricos comecem a integrar o Sistema RIO no segundo semestre de 2027.
Impacto ambiental e meta para 2030
Segundo a Prefeitura, os 175 ônibus poderão evitar aproximadamente 13,3 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano. A estimativa considera a substituição de veículos convencionais por modelos elétricos e também inclui a expectativa de redução da emissão local de poluentes.
Além do impacto sobre a qualidade do ar, a eletrificação pode reduzir os níveis de ruído associados à circulação dos ônibus. Esses efeitos, no entanto, estão vinculados à entrada efetiva dos veículos em operação e ao funcionamento da infraestrutura de recarga prevista no projeto.
A iniciativa faz parte da meta municipal de chegar a 2030 com cerca de 20% da frota de ônibus composta por veículos não emissores. Conforme o anúncio oficial, esse percentual corresponde a aproximadamente mil ônibus. A PPP anunciada representa uma das etapas dessa estratégia de renovação tecnológica do transporte público carioca.
O BNDES também informa que o Fundo Clima pode apoiar a aquisição de ônibus elétricos e dos equipamentos de recarga utilizados no transporte público. No caso do Rio, o financiamento será combinado com a participação do município e da futura concessionária.
O que muda para passageiros e moradores
Para os passageiros, a mudança prevista é a incorporação gradual de 175 veículos elétricos ao Sistema RIO a partir do segundo semestre de 2027. A fonte oficial consultada não detalha, neste anúncio, quais linhas ou áreas da cidade receberão inicialmente os ônibus, portanto a distribuição operacional dependerá das definições posteriores do projeto.
Para os moradores da Maré, a implantação representa a chegada de uma estrutura pública voltada à operação de transporte coletivo em uma área próxima à Avenida Brasil. A garagem deverá concentrar atividades de estacionamento, manutenção e recarga, enquanto a execução das obras e a operação ficarão submetidas ao cronograma e às obrigações da PPP.
Com financiamento do BNDES, participação municipal e investimentos da concessionária, o projeto combina renovação da frota, infraestrutura urbana e redução de emissões. A efetiva transformação do transporte coletivo dependerá, agora, da conclusão das etapas previstas e do início da operação dos ônibus elétricos no Rio de Janeiro.
