Uma dúvida comum entre mães de primeira viagem ganha atenção especial neste mês: onde buscar apoio real quando a amamentação não sai como o esperado?
Ao longo de agosto, unidades da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro intensificam ações voltadas à promoção do aleitamento materno, dentro da campanha Agosto Dourado. A iniciativa, que ganha força nacional durante a Semana Mundial do Aleitamento Materno, busca não apenas incentivar a amamentação exclusiva nos primeiros meses de vida, mas também ampliar a rede de apoio para mães que enfrentam dificuldades nesse processo.
Uma rede que começa ainda na gravidez
O acompanhamento oferecido pelas unidades municipais não se limita ao período pós-parto. Segundo a Prefeitura do Rio, a rota de apoio começa ainda no pré-natal, quando as equipes das clínicas da família orientam as gestantes sobre a importância da amamentação e preparam o terreno para os primeiros dias após o nascimento do bebê. Após o parto, as equipes verificam se a puérpera tem produção de leite superior à necessidade do próprio filho e se ela aceita se tornar doadora para bancos de leite humano.
Esse acompanhamento é especialmente relevante porque o leite materno excedente pode ser a única forma segura de nutrição para muitos recém-nascidos prematuros internados em unidades de terapia intensiva neonatal, que não podem ser amamentados diretamente pelas próprias mães.
O piquenique que já é tradição
Como parte das atividades especiais do mês, o Hospital da Mulher Mariska Ribeiro e a Clínica da Família Antônio Gonçalves da Silva se uniram para realizar a 11ª edição do Piquenique da Amamentação, com o tema “Amamentar Nunca Sai de Moda”. O evento reuniu gestantes, puérperas, bebês e familiares em uma manhã de acolhimento, troca de experiências e orientação sobre aleitamento materno.
A parceria entre as duas unidades também tem como objetivo captar novas doadoras de leite humano e ampliar a conscientização sobre a importância dessa doação, que costuma salvar vidas de bebês internados sem condições de mamar diretamente no peito da própria mãe.
O Agosto Dourado de 2026 segue a diretriz internacional definida pela World Alliance for Breastfeeding Action, com o tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona”. A escolha do tema reflete uma preocupação global em consolidar estratégias que já demonstraram resultados positivos, em vez de simplesmente criar novas iniciativas isoladas a cada ano.
O Brasil assumiu, em 2024, o compromisso de atingir 70% de aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida até 2030, uma meta mais ambiciosa do que os 60% estabelecidos pela Assembleia Mundial da Saúde. O histórico nacional mostra avanço expressivo: o país saltou de 4,7% de aleitamento exclusivo na década de 1980 para 45,8% em 2019, segundo dados do Estudo Nacional de Nutrição Infantil, coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O que a doação de leite representa na prática
Para as mães que decidem doar o leite excedente, a unidade de saúde fornece gratuitamente todo o material necessário para a coleta e o acondicionamento correto, permitindo que a ordenha seja feita no próprio conforto de casa. Esse processo elimina uma das principais barreiras práticas que impedem mais mulheres de se tornarem doadoras: a logística e o custo dos materiais de coleta.
Com as atividades do Agosto Dourado seguindo até o fim do mês, a expectativa das equipes de saúde é de que a campanha continue ampliando tanto o número de mães que conseguem amamentar exclusivamente nos primeiros meses quanto o volume de leite doado para bebês que dependem dessa rede de solidariedade para sobreviver e se desenvolver de forma saudável.
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