A inteligência artificial deixou de ser exclusividade das grandes empresas de tecnologia e já faz parte da rotina de diversos setores. Na análise de Alfredo Moreira Filho, empresário especializado em gestão empresarial e fundador do Grupo Valore+, essa transformação exige dos gestores menos fascínio com a novidade e mais critério para decidir onde e como a tecnologia realmente agrega valor ao negócio.
Dados do IBGE mostram que o uso da inteligência artificial na indústria brasileira cresceu de forma acelerada em pouco tempo. Ao mesmo tempo, as empresas relatam obstáculos importantes para avançar. Entenda, nos tópicos a seguir, o que dizem os números, onde a tecnologia está sendo aplicada e qual o papel da gestão nesse processo.
O avanço em números
A Pesquisa de Inovação Semestral, conhecida como Pintec, realizada pelo IBGE em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e a Universidade Federal do Rio de Janeiro, ouviu mais de 10 mil empresas industriais com 100 ou mais empregados. O levantamento mostrou que a parcela de empresas que usam inteligência artificial saltou de 16,9% para 41,9% em apenas dois anos.
O avanço está associado principalmente à popularização da chamada inteligência artificial generativa, capaz de produzir textos, imagens e análises a partir de comandos simples. A pesquisa também revelou que 89% das empresas utilizam ao menos uma tecnologia digital avançada, com destaque para a computação em nuvem, presente em 77,2% delas, e a internet das coisas, em 50,3%. Como pontua Alfredo Moreira, a velocidade dessa adoção mostra que a tecnologia já se tornou parte do ambiente competitivo.
Onde a tecnologia está sendo aplicada?
Um dado chama atenção: a inteligência artificial tem sido usada com mais frequência fora do chão de fábrica. Segundo a pesquisa, 87,9% das empresas que adotaram a tecnologia a aplicam em áreas administrativas, 75,2% na comercialização e 73,1% no desenvolvimento de projetos. Na produção, o uso ficou em 52%.
Isso indica que a tecnologia vem sendo usada para tarefas como análise de dados, atendimento a clientes, elaboração de relatórios, previsão de demanda e automatização de processos internos. São justamente atividades ligadas à gestão, em que a capacidade de organizar informações e apoiar decisões faz grande diferença. Na concepção de Alfredo Moreira Filho, a principal contribuição da inteligência artificial está em liberar tempo das equipes para atividades que exigem julgamento e relacionamento humano.
Os obstáculos à adoção
Apesar do crescimento, a pesquisa aponta barreiras relevantes. Os custos elevados, a falta de profissionais qualificados e as dificuldades de integrar a tecnologia entre diferentes áreas da empresa aparecem entre os principais obstáculos relatados pelas indústrias.
Outro dado revela uma lacuna: apenas 9,1% das empresas afirmaram ter se beneficiado de programas públicos de apoio à adoção de tecnologias digitais. Para pequenas e médias empresas, que não fazem parte do recorte da pesquisa, os desafios tendem a ser ainda maiores, já que contam com menos recursos para investir em sistemas e capacitação. Sob a perspectiva de Alfredo Moreira, a adoção bem-sucedida depende tanto de investimento em pessoas quanto em ferramentas.
O papel do gestor na adoção responsável
Implantar inteligência artificial não é apenas uma decisão técnica. Cabe à gestão definir quais problemas a tecnologia deve resolver, começar por projetos-piloto com objetivos claros e medir os resultados antes de ampliar o uso. Investir na qualificação das equipes é essencial para que os colaboradores saibam usar as ferramentas de forma produtiva e crítica.
Também é preciso atenção à governança. Questões como a proteção de dados pessoais, prevista na Lei Geral de Proteção de Dados, a confidencialidade de informações estratégicas e a verificação dos resultados gerados pelas ferramentas exigem regras claras. A supervisão humana continua indispensável, especialmente em decisões que afetam clientes, colaboradores e finanças. Portanto, na ótica de Alfredo Moreira Filho, a inteligência artificial amplia a capacidade da gestão, mas não substitui a responsabilidade de quem toma as decisões.
